Tinta acrílica preta sobre papel.
Arte única sobre página antiga amarelada do livro de poesias Carlos Drummond de Andrade.
Medidas: 13.5x20.5cm
Não acompanha moldura.
Violenta ternura
O ballet faz parte da minha essência. Moldou quem eu sou, a forma como eu aprendo e me movimento pela vida. Quando ainda criança, ele ficou sério demais. Ganhou proporções e peso que, na época, eu precisei soltar. Porque mesmo muito nova eu já possuía certa sabedoria de conhecer minhas limitações mentais. Foi preciso deixar ir. O tempo passou, mas a dança sempre manteve um espaço no meu coração. Sempre se manteve um item da minha lista de resoluções: Voltar ao ballet. Voltar ao ballet. 17 anos se passaram até que dia 9 de junho, num terça feira qualquer, eu atravessei a rua e fiz uma aula experimental. Sem roupa adequada, sem sapatilha. Apenas minha alma e o que ela carregou do meu corpo até lá. Quando terminou a aula, eu estava tão extasiada que me matriculei. Assim, sem calcular os custos, sem pensar muito em como os horários bateriam na minha agenda. Afinal, eu tinha 17 anos de créditos reservados para aquele momento. Logo após finalizar a matrícula, precisei ir embora porque já estava segurando as lágrimas. Lágrimas essas que rolaram o dia inteirinho sempre que eu parava e me lembrava: eu havia voltado pra mim. Só então eu percebi que aquele espaço que a dança preenchia no meu coração era muito maior do que eu me dava conta... até agora. Que bom que eu reencontrei esse pedaço a tempo.
Hoje essa série é pra te perguntar qual pedaço seu anda perdido por aí e qual rua você precisa atravessar pra tomar ele de volta.



































